Sábado, 8 de Dezembro de 2007

Through the monsoon

2000

Olá, sou a C, tenho 17 anos, ando no 12º ano, moro em Coimbra e namoro com um rapaz de 19. Peso 52 kg, sou faladora, dizem que não tenho papas na língua, gosto de dormir e de estar com os amigos. Estou a pensar seguir Sociologia ou Educação de Infância porque é o que gosto e tem mais saídas sem ser História e Filosofia. Não estou muito preocupada com isso, tenho planos de continuar a estudar depois do curso, fazer uma pós-graduação, arranjar um bom trabalho, casar-me lá para os 23 e ter filhos.
Gosto de estar com o meu namorado, que é o meu lindão fofuxo...não sei viver sem ele :) temos feitios muito diferentes e discutimos um bocado, mas só estamos bem juntos.
De resto tenho a vida normal de uma pessoa da minha idade, passo a vida na conversa com a Rita Maria e com o pessoal do bar, tenho uma turma altamente!, e pronto..depois logo se vê...vou ter muita pena de me separar dos meus amigos, vou ter bué saudades desta escola, mas a vida é assim mesmo.
Ah, e gosto de ouvir música! É a primeira coisa que faço quando acordo e a última antes de me deitar...
Bem, agora tenho de ir porque tenho montes de coisas para arrumar e depois vou ao café com o Nuno.

2007

Não tenho tido tempo para nada, nem sequer para mim.
As coisas não correram como eu queria mas, no entanto, a vida foi passando e tentei não me preocupar demasiado com ela, convicta de que "a vida é o que acontece enquanto fazemos planos". Falhei redondamente este objectivo, mais um. Estou farta de sobre-analisar, de não ser capaz de viver o presente, de não ser capaz de seguir em frente. Estou farta de pensar demais e viver de menos. Entrei neste ciclo vicioso de pensar que não me devo preocupar, e esse próprio pensamento já constitui uma enorme preocupação por si só.
Perdi-me neste caminho que já tem sete anos. Não se trata de querer voltar atrás no tempo (se bem que, às vezes...). Mas queria voltar a ser eu. A minha essência é a mesma; à superfície, sou outra. Os meus sentimentos e as minhas manifestações tornaram-se diferentes, não no sentido da evolução natural que nos traz a passagem no tempo, mas pelo modo brutal com que fui obrigada a aceitar viver uma vida que não era suposto ser a minha, pela pressão esmagadora de perceber que esta é a vida com a qual terei de aprender a viver para sempre.

Estou cansada de todas as teorias sobre pensar positivo e sobre como todas as coisas dependem de nós e da nossa vontade. "A vida é o que fazemos dela", diz-se. Ou nós é que somos o que a vida faz de nós? Um pouco das duas, talvez?

Não estou de braços cruzados nem quero ouvir dizer "se não estás satisfeito com a tua vida, muda-a, vai à luta!". Isso é impossível. Esta nunca vai ser a minha vida e as coisas pelas quais deveria ter lutado pertencem ao passado. O presente espelha o vazio deixado pelas coisas que deveriam ter sido e nunca foram.

Mas esta é, de facto, a vida que tenho agora. Não a minha, mas a daquela pessoa que sou na sociedade e para a sociedade. Faço-me entender ou pareço um pouco esquizofrénica?

Continuo a tentar harmonizar esta dupla existência.

4 comentários:

Frédéric disse...

fazes-te entender.Não serve de conforto, mas não, não és a unica (longe disso). Talvez a solução seja não esperar tanto, não sei (quem me dera saber). O que parece importar mais acaba por ser a esfera social crias à tua volta. Mas sim, parece que existimos uma eternidade para viver por uns momentos. Sei que existe uma solução..talvez a resignação ou a aceitação que o existir é o viver e cabe a nós torná-lo o mais aprazivel possivel:)

Ps: definitivamente, tens que escrever com mais frequencia!

parasempre24 disse...

Como a noção da nossa vida muda com o passar dos anos...é um pouco desesperante ver que pensas dessa forma. Mas tens razão em muito do que dizes...não me ponho com filosofias baratas, até porque sei que saberás muito bem o que fazer na altura em que precisarás de tomar decisões que mudem radicalmente a tua vida...aí tudo será diferente!!Mais anos virão e decerto terás novas e agradáveis surpresas...You only need is faith!!!
Carpe ....

SoNosCredita disse...

tens que saber quem és, independentemente de as coisas terem corrido (ou ñ) como querias.
porque isso é essencial para seres feliz.
e podes sê-lo!

em relação às "teorias" a que te referes... percebo o teu pessimismo, mas acredita que as fontes dessas "teorias" têm fortes razões para acreditar nelas.
:)
eu própria, já tive fases positivas e uma fase bem negativa e posso comparar... garanto-te que a nossa pré-disposição é fundamental!
ñ adianta quereres ter uma vida desafogada, em temros financeiros, se no fundo acreditas que isso é impossível.
tens que acreditar verdadeiramente!

agora, tb sei que as coisas muitas vezes ñ correm como as idealizámos.
compete-nos reorientarmo-nos, encontrarmos novos sonhos, novos ideiais, novos objectivos...
acredita!

SoNosCredita disse...

(a parte "em termos financeiros" é apenas um exemplo!)