Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Casamentos interessantes com pessoas desinteressantes

por Cinderela P.S.

Corre por aí o mito de que há uma data de gente super-interessante que no fim do dia vai para casa ter com pessoas super-pouco-interessantes. Isto é um casamento. E pelos vistos a coisa funciona porque não alguns ainda não se divorciaram. Ora, eu não percebo isto. Como é que alguém que se interessa por politica, história, viagens, literatura, enfim, todas essas coisas que tornam a vida mais suportável, consegue partilhar a existência com alguém que suscita o mesmo interesse que um frasco de Nutela vazio?

Note-se que não se trata de partilhar algumas horas do seu tempo com as ditas pessoas, de dividir um gabinete ou de ter um cacifo lado a lado no ginásio. Trata-se de casar. Partilhar os dias e as noites. Ter filhos. Tudo isto com amebas. Confrontada com a falta de resposta para este algoritmo social sou forçada a concluir que as tais pessoas supostamente interessantes são, na verdade, tão vazias e tão ocas como as suas caras-metade. Ou seja, é certo que os opostos se atraem (sabes bem não o podes negar, e um Martini convida a viver e blablabla), e por isso vemos o lutador de sumo com a modelo de 30kg e depois vemo-nos a mim, a super-Barbie, com um nerd anti-barbies que eu acho sexy e que me acha sexy a mim, and so on and so on.

Mas até a atracção dos opostos se defronta com limites intransponíveis, uma espécie de fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul: uma pessoa que lê livros de verdade não se mistura com alguém cujo ponto alto de leitura é a Vogue, e só aquelas páginas com fotografias de roupa e no máximo 3 ou 4 palavras. No meu ingénuo e platónico entendimento das coisas o QI continua a ser A barreira. Podemos viver com discussões, com falta de dinheiro, com milhentas coisas que tornam a vida a dois uma coisa complicada. Mas viver sem conversas? Sem ter alguém a quem contar o que se passou naquele dia no trabalho e que efectivamente compreende aquilo que queremos dizer?

Um amiguinho meu, mais iluminado do que eu certamente, garante-me que estes casamentos funcionam porque se fundam em valores supremos, mais supremos que o amor ou a camaradagem. Ora, eu não sou tacanhamente romântica. Percebo bem que em certas famílias apenas certos casamentos sejam admissíveis. É óbvio que um desses cavalheiros jamais se poderia enroscar com uma plebeia como eu. Ou melhor, enroscar até poderia. Aliançar é que não. Como é que explicava ao tribunal familiar que eu não tinha um daqueles nomes tirados de uma árvore genealógica com mais de 500 anos, nem tinha estudado no liceu francês? Como justificaria as tatuagens, os piercings e, pior que isso, as opiniões? Não é que eu seja particularmente interessante. Há dezenas e dezenas de países onde nunca estive. Não sei falar alemão nem leio grego. Não conheço fórmulas químicas. Não sei pilotar um avião nem conduzir uma moto. É até bem provável que seja meio tonta. Mas pelo menos trabalho, pago as minhas contas, já li um ou dois livros na vida e até, pasme-se, por vezes vêm pessoas de longe para me ouvir falar.

Restam-me então duas hipóteses. Ou bem que o interesse de que desfrutam no seu círculo de amigos é mera aparência granjeada à força de uma ou duas poscas de pescada que atiram cá para fora depois de ver um daqueles programas da RTP2. Ou bem que de facto são interessantes e, por milagre das relações humanas, jantam, dormem e fazem a barba ao lado de seres mais limitados. Ao que parece organizaram a sua vida para ser minimamente suportável, e quem sabe até feliz. Trabalham muito, chegam tarde a casa, brincam com os filhos, entretanto é hora de dormir, no outro dia assim e no outro assim também. Desde que cumpram algumas presenças oficiais em festas de família, e pelo menos 15 dias de férias com a prole e as esposazinhas, dispõem até de um calendário bastante livre onde podem conversar e discutir com alguém que lhes estimule outras necessidades para além da reputação ou da paz familiar. E isto é um casamento interessante com pessoas desinteressantes.

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

Amores Perfeitos

Não há Amores fáceis. Por estranho que pareça também não há Amores difíceis. Os Amores são todos mais ou menos iguais. A única diferença está em que alguns Amores o são mesmo, outros não. O que torna os Amores todos iguais é o facto de cada um ser único. É nisso que são todos iguais. Não há nenhum Amor que se compare ao meu, assim como o meu também não se compara a nenhum outro. É por isso que ele não é fácil, nem difícil. É o meu Amor. Só isso.A unicidade do Amor acaba com a ideia de perfeição, seja ela a perfeição cristã de Santo Agostinho ou a positivista de Kant. No Amor busca-se precisamente o contrário: a imperfeição. É ela que é única e é ela que tem a capacidade de nos fascinar. Por ser isso mesmo: única. A ideia absolutista de perfeição é, aliás, uma seca de todo o tamanho e por isso impossível de ser objecto de Amor.É como se cada um de nós se apaixonasse por um lugar, porque um Amor é isso mesmo. Um lugar. Ninguém mais lá entra, nessa grandiosa imperfeição que só duas pessoas são capazes de criar. Amo-o todo, esse lugar, e é por isso que cuido dele o melhor que sei e posso, para que um dias destes não me apeteça abandoná-lo. É a minha tentativa de prolongar o Amor no tempo. Hoje, por exemplo, acordei de manhã e plantei-lhe uns Amores Perfeitos, para lhe poder chamar também isso, pelo menos em parte. Um Amor Perfeito.

Bagaço Amarelo

Texto de autoria de V.L.Raposo, companhia de muitas noites delirantes e invernosas.

Embora sejamos todos pessoas diferentes, ainda assim creio que é possível traçar um itinerário emocional pelo qual todos passamos exactamente nos mesmos momentos. Algumas de nós podemos suprimir ou um outro estádio, trocar-lhes a ordem (primeiro a revolta e depois a saudade, ou vice-versa) ou sentir as coisas ou bocadinho mais acima ou um bocadinho mais abaixo. Mas de um modo geral o percurso é este:

- “Não acredito que isto aconteceu!” – a surpresa. Porque mesmo quando já se sabe que vai acontecer… é sempre uma surpresa quando acontece.
- “Como é que este filho da puta se atreve a fazer-me isto?” – a revolta. O desespero mistura-se com a raiva, e mesmo com o ódio e a repulsa. Presentes são destruídos e inexplicavelmente muita coisa aparece partida lá em casa.
- “A culpa foi minha. Não fui suficientemente boa” – a autodestruição. A minimização da pessoa fantástica que somos e a sobrevalorização de um tipo que nos partiu o coração.
- “Não acredito que isto me aconteceu a mim” – a auto-comiseração. Dias em casa a chorar, 5kg a menos. O mundo, tal como o conhecemos, acabou ali.

Mas eis que a Fénix renasce das cinzas. Pode ser um convite para jantar, o ombro de uma amiga, um novo projecto profissional, ou até um vestido que experimentámos e nos fica especialmente bem. Os mortos não voltam à vida, mas as pessoas de coração despedaçado sim.

Partindo do pressuposto que somos pessoas mentalmente equilibradas e que os eles e as elas, apesar de não se terem portado no seu melhor, são ainda assim pessoas medianamente decentes, eventualmente acabamos a desejar-lhes uma boa vida. Não lhe queremos mal, que morra infeliz, doente e sozinho, na miséria, com dor de dentes e diarreia. Não. Afinal, aquela pessoa fez parte da nossa vida, fez-nos feliz durante esse período, de modo que lhe desejamos prosperidade, amor e saúde.

Mas… não tanta felicidade quanto a que nos calhe a nós. Apesar de tudo temos que ser nós os mais bonitos, os mais magros, os mais bem-sucedidos, os que temos os filhos mas bonitos, os mais desejados. Especialmente, temos que ser nós os mais amados.

Racionalmente sabemos que sua felicidade actual não significa necessariamente uma infelicidade passada ao nosso lado. Muito menos que tal se deva a alguma coisa que o presente someone tem e que nós, o past someone, não tínhamos. Mas aquilo que o cérebro sabe muitas vezes não chega para nos apaziguar, e continuamos a atormentar-nos com a ideia de que não fomos o suficientemente. Simplesmente, não fomos o suficiente.

Isto já nada a ver com as réstias de sentimento que permanecem – porque permanecem sempre, ainda que de forma diferente do quando éramos um “nós” – nem com supostas paixões que permaneçam. É antes uma espécie de tola competição para ver quem sobrevive melhor, quem encontra o maior amor, quem sai por cima. Como se nestas coisas de amores e desamores houvesse vencedores e vencidos.

Será que isto nos torna pessoas mesquinhas e pequeninas? Talvez. Mas somos humanos, e os seres humanos são, entre outras coisas, mesquinhos e pequeninos. Além disso, os nossos desejos não são despojados de alguma grandeza. Não lhe desejamos mal, não nutrimos ressentimento, não o caluniamos, recordamos os momentos juntos com carinhos. Mas se há coisa de que não conseguimos abrir mão é do sentimento que nós somos melhores e merecemos melhor.

De modo que estou em crer que a verdadeira afirmação de nós mesmos como a pessoa que desejaríamos ser acontecerá no dia em que desejemos a esse alguém o mesmo, ou mais até, do que aquilo que queremos para nós.

Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011

Mr. Sandeman

Fazes-me falta.
Suponho que nunca saberás, mas senti um misto de alegria, desalento e resignação quando foste embora. Procurei beber um bocadinho da tua coragem mas só consegui molhar os lábios, o suficiente para sentir o travo agridoce da tua partida. Sempre achei que devias ir, mas fui ficando feliz por ficares. Talvez tenhas ido embora na altura certa, sem que tenha havido tempo para perceber que, afinal, não fazias falta nenhuma, ou talvez, se tivesses ficado mais tempo, pudéssemos ter extravasado aquelas paredes azuis e castrantes.

Eu sei que isto soa um bocado melodramático, mas prefiro dar este sentido à coisa, como algo que valeu ou poderia ter valido muito a pena nas nossas vidas, era o que faltava estar agora a simplificar as coisas, a reduzi-las ao comum das insignificâncias diárias, era o que faltava, tirarem-me agora esta ideia, esta construção que me vai dando alento para outros voos.

Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

um dia destes disseram-me

acho que estás a ver poesia onde ela não existe

vejo-a muitas vezes, de facto

porque vemos as coisas não como elas são, mas como somos.

Domingo, 17 de Abril de 2011

Forever 27 club

The 27 Club, also occasionally known as the Forever 27 Club or Club 27, is a name for a group of influential rock and blues musicians who all died at the age of 27.

The 27 Club consists of two related phenomena, both in the realm of popular culture. The first is a list of five famous rock musicians who died at age 27—Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, and Kurt Cobain. The second is the idea that many other notable musicians have also died at the age of 27.

Durante a minha adolescência correspondi-me com uma rapariga de Setúbal durante mais de dois anos. Cheguei a conhecê-la pessoalmente e sabíamos praticamente tudo sobre a vida uma da outra. Trocávamos recortes de revistas com notícias ou fotografias dos nossos ídolos. Ela tinha a vida facilitada, porque eu gostava de tudo o que fosse cultura pop; já ela gostava de Janis Joplin e Jim Morrison e não era fácil encontrar informação sobre estes artistas nas páginas da Bravo ou da Super Pop.

Ontem à noite lembrei-me dela. Joana. E lembrei-me de como ela me mandava recortes do Jonathan Brandis, um actor de quem eu gostava só porque era giro (aos 13 anos isso basta-nos e às vezes, aos 27, também). E abri o google para digitar o nome deste actor e ver qual seria o seu aspecto nos dias de hoje. Está morto. Desde 2003. Nunca cheguei a saber. Curiosamente, juntou-se ao clube dos que morreram aos 27, no auge. Como a Janis, como o Jim. E eu fiquei a olhar para aquela notícia, a tentar perceber porque é que só agora é que soube que o ídolo dos meus 13 anos tinha desaparecido. Só agora. Aos 27 anos.

R.I.P.


Jonathan Brandis
(13 de abril de 1976 – 12 de novembro de 2003)

everybody bleeds this way




Hold on, hold tight
Make it through another night
Everyday there comes a song with the dawn

Sitting, waiting, wishing

O que quer que seja isso de caminhar com os pés bem assentes na terra, estou certa de que falharemos na maioria das vezes.

Dou a minha pessoa como exemplo. São quase duas da manhã e está uma noite quente quase de Verão. Apesar dos meus vigorosos 27 anos e das muitas solicitações de ordem social que vou tendo de recusar, estou sozinha.


Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

Esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais

Só assim dá para mim conseguir que não doa mais

Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

O estudo ROCKET AF demonstrou a superioridade do rivaroxabano, em toma única diária, comparativamente à varfarina, na protecção do AVC e embolismo sistémico fora do SNC em doentes com fibrilhação auricular.

A meio de uma tarde de trabalho, detenho-me sobre isto. É minha obrigação ler este parágrafo e outros mil parecidos com este. E detenho-me mais uma vez. E lembro-me do que sou, do que não sou, do que poderia ter sido e do que talvez serei. Das voltas que a vida dá. Não sei o que isto é. Não percebo o seu sentido. Literal. Simbólico.

Prossigo.

Sábado, 1 de Janeiro de 2011

Shine on You Crazy Diamond

É impossível resumir um ano num post. Mostrar o tamanho das vitórias alcançadas. Envolver a profundidade das reflexões. Guardar o crescimento das metas. Inventariar os momentos e as pessoas.
Os meus votos para 2011 são igualmente impassíveis de reter. A dimensão das aspirações. A monumentalidade dos desafios. O fascínio dos medos e das imperfeições. O ardor e a força dos desejos. A vontade de ser melhor.

AEL



Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

E entretanto o tempo fez cinza da brasa

E outra maré cheia virá da maré vaza

Nasce um novo dia

E no braço outra asa

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Escrevi aqui, há um ano, que ia ser um 2010 "at my most beautiful". Modéstia à parte: foi

A vida mudou. As circunstâncias que me rodeiam são, objectivamente, as mesmas; tudo o que mudou foi cá dentro. Sou, na essência, a mesma Cris de sempre, mas este ano de 2010 foi o meu grito de Ipiranga. Foi o ano em que "acordei para a vida" - talvez as maravilhas da solidão, as maravilhas de ser solteira pela primeira vez em 11 (!) anos. Tem sido uma auto-descoberta fantástica, a diversos níveis que não poderei resumir em meras palavras.

Descobri que sou capaz de fazer coisas q nunca pensei e que, provavelmente, as coisas que sempre pensei são aquelas que nunca (mais) serei capaz de fazer.

Quando me sinto muito pequenina quero lutar e reagir. Já não quero desaparecer. Por vezes leio coisas que escrevi no passado e parece-me que foi outra pessoa. Inevitavelmente transportamos tudo aquilo que vivemos e até as coisas más podem ser proveitosamente recordadas - para não permitir JAMAIS que se repitam, para nos lembrar da nossa caminhada. (forgiven, not forgotten...)

Como escreveu Godinho, vale a pena ver o mundo aqui do alto; vale a pena dar o salto! Não estou feita doida lançada ao mundo, não, mas não procuro tanto as coisas "seguras" e "certas" porque, de facto, (quase) nada é seguro e certo.

Sinto, por fim, que estou a viver tudo aquilo que devia ter vivido há uns anos, não sei se é tarde, talvez nunca seja; não me sinto completamente idiota como uma adolescente, apenas o necessário para passar uns bons bocados. Sinto-me, hoje, muito mais preparada para uma relação, sem grandes ilusões (só quanto baste para dar uns toques de magia imprescindíveis à coisa), com a capacidade de ver as pessoas tal como elas são - afinal, sei que, se tudo der errado, eu sobreviverei. Não procuro pessoas perfeitas, mas tenho um padrão relativamente elevado, até porque estar sozinha não é necessariamente mau e só abdicarei desta condição por alguém que realmente valha a pena. Tolerar o intolerável faz, definitivamente, parte do passado.

Tenho os pés no chão, tenho noção da realidade, dos meus 27 anos. Mas às vezes gosto de voar um bocadinho ;)

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

Elogio da Mulher Brava

por Héctor Abad

Estas novas mulheres, se um tipo conseguir pôr sob controle o burro machista que tem dentro, são as melhores parceiras. A nós, homens machistas, que somos 96 por cento da população masculina, incomodam-nos as mulheres de carácter áspero, duro, decidido. Temos palavras depreciativas para designá-las: bruxas, traumatizadas, solteironas, amarguradas, marias-rapaz…

Na realidade, temos-lhes medo e não vemos a hora de fazer-lhes pagar muito caro o seu desafio ao poder masculino que, até há pouco, detínhamos sem questionamentos. A esses machistas incorrigíveis que somos, machistas ancestrais por cultura e por herança, incomodam-nos instintivamente essas feras que, em vez de se submeter à nossa vontade, sabem atacar e defender.

A fêmea com que sonhamos, um sonho moldado por séculos de prepotência e por genes de bestas (ainda infrahumanos), consiste numa parceira jovem e mansa, doce e submissa, sempre com um sorriso de condescendência na boca.

Uma mulher bonita que não discuta, que seja simpática e diga frases amáveis, que jamais reclame, que abra a boca somente para ser correcta, elogiar nossos actos e consentir as nossas baboseiras. Que use as mãos para a carícia, para ter a casa impecável, fazer bons pratos e acomodar as flores em vasos.

Este ideal, que as revistas de moda nos confirmam, pode identificar-se com uma espécie de modelito das vemos na televisão, sempre a roçar uma aparente perfeição, com curvas incríveis (mandam-te beijos e abraços, ainda que não te conheçam), sempre à tua inteira disposição, em aparência, como se nos dissessem "basta você querer e eu abro-lhe as pernas", sempre como dispostas a um vertiginoso desafogo de líquidos seminais, entre gritos ridículos do homem (não delas, que requerem mais tempo).

Estas novas mulheres põem em xeque os machistas jovens e velhos; estas mulheres para valer, as que não se submetem e protestam. Por isso continuamos a sonhar com jovenzinhas perfeitas que a dêem facilmente e não ponham entraves.

Porque estas mulheres novas exigem, pedem, dão, metem-se, reclamam, contradizem, falam e só se despem se lhes der a vontade. Estas mulheres novas não se deixam dar ordens, nem podemos deixá-las plantadas, ou encostadas a papéis subordinados e a postos subalternos. As mulheres novas estudam mais, sabem mais, têm mais disciplina, mais iniciativa e quiçá por isso mesmo lhes fica mais difícil conseguir um parceiro, pois todos os machistas as temem.


Mas estas novas mulheres, se conseguirmos controlar o burro machista que temos cá dentro, são as melhores parceiras. Nem sequer temos que as sustentar, pois elas não o permitiriam porque sabem que essa foi sempre a origem de nosso domínio. Elas já não se deixam sustentar, que é outra maneira de comprá-las, porque sabem que aí -e na força bruta - radicou o poder de nós, machos, durante milénios.

Se as chegamos a conhecer, se conseguimos suportar que nos corrijam, que nos refutem as ideias, nos assinalem os erros que não queremos ver e nos esvaziem a vaidade com ponta de alfinetes, nos daremos conta de que essa nova paridade é agradável, porque volta a ser possível uma relação entre iguais, na qual ninguém manda nem é mandado.

Como trabalham tanto como nós (ou mais), então elas, pela noite, também se declaram fartas e de mau humor, e o mais grave, sem vontade de cozinhar. Ao princípio nos dará raiva, já não as veremos tão boas e abnegadas como nossas santas mães, mas são melhores, precisamente porque são menos santas (as santas santificam) e têm todo o direito de não o ser.

Envelhecem, como nós, e já não têm pele nem seios de vintonas (olhemo-nos também a nós, as bochechas, os pouquíssimos cabelos), as hormonas dão-lhes ciclos de euforia e mau feitio, mas são sábias para viver e para amar e, se alguma vez na vida se precisa um conselho sensato, (e precisamos sempre, diariamente), ou de uma estratégia útil no trabalho, ou de uma manobra acertada para ser mais felizes, elas to darão, não as desenxabidas de mamas perfeitas, ainda que estas sejam a delícia com que sonhamos, um sonho que, quando se realiza… já nem sabemos o que fazer com ele.

Nós, varões machistas, ainda somos animais e é inútil pedir que deixemos de olhar para as chavalitas perfeitas. Os olhos fogem-nos para elas, para as suas curvas, porque temos uma programação interna que nos impulsiona para isso, como autómatos.

Mas se conseguimos usar também essa herança recente, o córtex cerebral, se formos mais sensatos e racionais, se nos tornarmos mais humanos e menos primitivos, nos daremos conta de que essas mulheres novas, essas mulheres bravas que exigem, trabalham, produzem, chateiam e protestam, são as mais desafiantes e, por isso mesmo, as mais estimulantes, as mais divertidas, as únicas com quem se pode estabelecer uma relação duradoura, porque está baseada em algo mais do que abracitos e beijos, ou em coitos precipitados seguidos de tristeza: dão-nos ideias, amizade, paixões e curiosidade pelas coisas que valem a pena; dão-nos sede de vida longa e de conhecimento.

Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010

N quero q este blog seja (só) um antro de pensamentos parvos e superficialidades diárias - embora acredite que, muitas vezes, até nas entrelinhas dessas idiotices consigamos entrever alguma coisa que sentimos, alguma coisa q somos, alguma coisa q nos falta.

Estou a ter alguma dificuldade na engrenagem de textos mais profundos e parecidos comigo, talvez porque aquilo que costumava ser parecido comigo já não o seja assim tanto. Não é fácil perder velhos hábitos. Como alguém me disse: it's a long way out of hell. Que é como quem diz, estou bem, estou feliz, mas ainda com muuita coisinha para pôr em ordem aqui dentro antes que consiga expressá-la seja sob q forma for.

Acho que sim, que este blog pode evoluir comigo - há coisas com as quais me identificarei sempre, outras que, à distância, me fazem perceber o quão ridícula ou exagerada fui em determinados momentos.

Neste momento, olho para mim mesma como se olha para uma casa que, apesar de vazia, sentimos que nos vai acolher e que, aos poucos, seremos capazes de preencher com tudo o que é nosso.




Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

Ouve bem

Não tens de gostar de mim, não tens de simpatizar comigo, nem sequer tens de achar que a minha existência tem alguma utilidade. Mas vais respeitar-me.

Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Boring...

Qual é a pior coisa que vos pode acontecer às 8h da manhã de um dia regular de trabalho, após terem acordado às 6h e estando desertinhos para que o dia acabe?

....

É ter de levar com uma hora e meia de "Sociedade Civil" sobre comparticipação de medicamentos e ouvir com tanto interesse como se de um CSI se tratasse. Os tipos da 2 e a mania do serviço público.

Já agora, deve ser de mim mas a Fernanda Freitas deve ser o tipo de pessoa que queremos ter como vizinha, sempre atenta às suas obrigações de condómina e pacata como se quer, mas com quem não nos apetece nada ir para a borga ou muito menos passar uma noite de copos à conversa.

Bah.

Domingo, 31 de Outubro de 2010

Encosta a tua cabecinha no meu ombro e...

Comboio intercidades, percurso Coimbra B - Porto Campanhã.

Sentei-me ao lado de um jovem que devia ter vinte e poucos anos, compenetrado na redacção de um trabalho em formato Word, no qual consegui ler as palavras "colónias", "agricultura", "indústria", "administração" e "Parlamento" pelo canto do olho. Eu seguia abstraída e embalada pelo som do mp3; entretanto, o rapaz desligou o portátil, pousou-o e recostou-se na cadeira. Caiu num sono tão profundo que, não se apercebendo, começou a deixar cair a cabeça para o meu lado até a pousar definitivamente sobre o meu ombro. E devia estar a saber-lhe bem porque, de vez em quando, parecia que se aconchegava e se ajeitava de modo a ficar mais confortável.

Deu-me vontade de rir, acho que vim sempre com um sorriso no rosto pela situação caricata. Não me podia mexer sem acordá-lo, mas não sentia necessidade de o fazer, pelo que fechei também os olhos e deixei-me ir. Pensei, no entanto, no embaraço que o Belo Adormecido iria sentir quando acordasse.

E, quando acordou, deteve-se dois segundos a olhar para mim com ar completamente estremunhado, até que atirei, com um sorriso: "estava-se bem?". Ele pousou a mão no meu ombro e balbuciou "desculpa, a sério..."...e acrescentou: "estava confortável...", ao que respondi "ao menos isso!", com o ar mais gingão que consegui. Passados 10 minutos, já eu tinha esquecido o incidente, sai-se com esta: "prometo q não volto a adormecer..."

Saiu na estação de Espinho, localidade que me parece sempre simpática vista do comboio, com o passadiço ao longo da praia a convidar ao passeio.

Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010

Tenho saudades

de ter tempo para escrever.
Estou em metamorfose...

Prometo voltar.

;)

Domingo, 11 de Abril de 2010

Fakeopolitan

Nas minhas deambulações por um blog amigo, deparo-me com um post sobre os conselhos fúteis que a generalidade das revistas femininas dá às suas leitoras. As leitoras mais desprovidas de sentido crítico, que encarem essas revistas como bíblia na arte do bem estar e da sedução, são capazes de sofrer um ou outro dissabor e chegar a casa lavadas em lágrimas, chegando à conclusão de que, afinal, todo o seu esforço é inglório.

Isto porquê? Aqui há tempos apanhei um artigo sobre "como agir num primeiro encontro" e deparo-me com uma sugestão de bradar aos céus: "Saltos altos. Leve saltos altos, são muito mais sedutores e os homens gostam. Nem pense ir de sabrinas!!". Ora bem, qualquer moça de bom senso quererá ir a um primeiro encontro no seu melhor, lavadinha e com boa apresentação. Agora: porque raio é que não hei-de ir de sabrinas, sapatilhas, sapatos rasos, se me apetecer? Chinelinho de dedo ainda compreendo, a menos que seja Verão, mas compreendo. Agora, what the fuck...de certeza que há pessoas que de saltos altos fariam uma figura bem mais ridícula do que descalças.

A teoria dos saltos altos é questionável de tantas maneiras diferentes...saltos altos porque os homens gostam.

1) Então mas estamos ali para nos sentirmos bem ou única e exclusivamente para agradarmos a sua Excelência?

2) Os homens gostam de saltos altos? Todos eles? Os homens são uma massa uniforme que indiscutivelmente adora mulheres de saltos altos?

3) Não é suposto as pessoas conhecerem-nos como somos, gostarem de nós POR QUEM SOMOS e não por uma pretensa, falsa, forçada imagem?

Vai-se a ver é por isso que não tenho namorado: nunca fui a um primeiro encontro de saltos altos! Quem de certeza nunca vai ter problemas em arranjar homem é esta fofa, Suri Cruise:





De pequenina se torce o pepino!



Domingo, 28 de Março de 2010

My guilty pleasure ;)

Musiquinha a lembrar a praia, o jovem Tom Cruise nos seus tempos áureos, antes de lhe dar para a parvoeira da Cientologia...

We'll take it fast
And then we'll take it slow
that's where we wanna go
Way down to Kokomo...

Quarta-feira, 24 de Março de 2010

Vejo tão bem ao longe

que o caixote do lixo da paragem de autocarro parece-me sempre uma pessoa sentada que sorri para mim.



Hey, pelo menos está a sorrir...

Terça-feira, 23 de Março de 2010

Girls are like...

Girls are like

apples on trees. The best

ones are at the top of the tree.

The boys don't want to reach for

the good ones because they are afraid

of falling and getting hurt. Instead, they

just get the rotten apples from the ground

that aren't as good, but easy. So the apples

at the top think something is wrong with

them, when in reality, they're amazing.

They just have to wait for the right

boy to come along, the one

who's brave enough

to climb

all the way

to the top

of the tree.

Segunda-feira, 22 de Março de 2010

Dai-me

paciência para encarar mais uma semana de trabalho rodeada de mentecaptos, cuscas, mesquinhas e atrasadas mentais.
Dai-me estofo para realizar o meu trabalho de forma profissional mesmo quando sofro atentados à minha sanidade mental de 10 em 10 segundos.
Fazei com que seja capaz de manter a compostura ante as constantes intromissões e suposições sobre a minha vida privada...

N posso perder de vista o meu caminho a olhar para estas bostas espalhadas na paisagem,

I must keep my eyes on the road

Are you sad?




Are you sad?
Are you holding yourself?
Are you locked in your room?
You shouldn't be...